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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Repúdio a retirada do Centro de Pesquisas Arqueológicas da Casa do Capão do Bispo, por Rhea Meio Ambiente, Christiane Lopes Machado


Prezada Srª Adriana Rattes

Muito me admirou a notícia divulgada no Globo On-Line de que a Casa do Capão do Bispo é ocupada por uma instituição privada, e que ali devera funcionar algo voltado para a população.

Talvez a senhora não saiba que durante esses últimos 37 anos, a instituição ali presente manteve exposições e bibliotecas abertas a quem quer que fosse, e seu acervo de material e dados disponíveis para pesquisadores de outras instituições. Dezenas de estudantes receberam formação profissional dos pesquisadores que ali dispunham de seu tempo e conhecimento, muitas vezes deixando de ter atividades remuneradas para manter o tempo dedicado ao Capão.

Não sei o que mais de “público” e voltado para a população se poderia fazer ali. Ter um centro de pesquisas arqueológicas ali é divulgar de forma científica disciplina tão  romantizada, e isso desde uma época em que era ainda menos conhecida, e Educação Patrimonial nem “existia” formalmente.
Apesar de apaixonada pela minha profissão, não sou cega a ponto de achar que em um país com tantos problemas sociais a arqueologia seja a coisa mais importante do mundo. Mas ela tem sim uma grande importância, ainda maior nesse caso por estar inserida em uma região tão urbanizada, com comunidades com pouco acesso ao patrimônio histórico. Qual uso poderia ser melhor para uma edificação que é patrimônio histórico, do que uma instituição que lida com ele como seu objeto de trabalho? Quem estaria mais apto a cuidar da edificação com o carinho e respeito que ela merece, do que aqueles que fazem disso sua profissão, e estão ali com todas as dificuldades há longos anos?

Sou testemunha direta das dificuldades com que os pesquisadores ali atuantes tiveram ao longo de todos esse anos, em manter a edificação de pé e atendendo ao público. Ao longo desses anos, vi diversas edificações serem arruinadas, e continuo vendo, pela falta de recursos públicos para mantê-las. A solução, em muitos casos, foi justamente a parceria, até mesmo com empresas privadas, para restauração e manutenção desse patrimônio. Se o estado tem recursos para restaurar essa edificação, ótimo. Mas porque a instituição que ali está instalada, cumprindo o que consta no convenio firmado quando foram para lá, precisa ser retirada? Não foi apresentada justificativa plausível para isso.

Temo que não só se perca um centro de pesquisas e de formação de pesquisadores, como já vi outros se extinguirem, com também após um restauro dispendioso, ver uma edificação se arruinar. Infelizmente, é recorrente. Estando com o centro de arqueologia ali funcionando, a manutenção da casa está assegurada, assim como seu uso público, sem ônus adicional para o estado. Me parece a situação desejável para quem quer que se preocupe de fato com o patrimônio.

Sds,
Christiane Lopes Machado
Rhea Estudos e Projetos
Unidade Técnica de Arqueologia - UAR
Diretora Técnica

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