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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Carta aberta à Cultura e INEPAC, em resposta à carta da Sra. Adriana Rattes, por Christiane Lopes Machado


Prezada Sra. Adriana

Agradeço muito sua atenção em enviar a resposta. Mas ela reproduz equívocos indicados na reportagem, e que creio eu ser fruto de um levantamento incompleto do processo, do histórico de ocupação da casa. Daí a necessidade de se aprofundar o diálogo com os ocupantes da casa, que certamente poderão comprovar que a presença deles não era indevida, nem desconhecida como parece ser o entendimento dessa secretaria.

A renovação foi solicitada, e o entendimento de um de seus antecessores foi de que esta seria desnecessária. A manutenção foi efetuada, bem ou mal, com os recursos limitados de que dispunha uma instituição de pesquisa em área tão pouco prestigiada como a arqueologia de décadas atrás. Certamente foi essa manutenção que impediu que o imóvel desabasse, como tantos outros que devem ter ruído nesse meio tempo pela falta dos mesmos cuidados mínimos. Aliás, recentemente tiveram um projeto para restauração do telhado aprovado pelo IPHAN, e não creio que teriam esse projeto aprovado se fosse ilegítima a ocupação do imóvel.

Concordo plenamente com a senhora sobre a necessidade do estado fazer os reparos, e fico sinceramente feliz que esteja destinando recursos a isso. Só não compreendo o porque disso significar a retirada de uma instituição que tanto contribuiu para a arqueologia do país. Sobre o uso voltado para o interesse público, esse também já ocorre, pois abre suas portas a comunidade com exposição e biblioteca e forma profissionais sem custo. Quanto ao uso do espaço vazio no terreno, aí é uma questão de entendimento com o IPHAN, pois o entorno de um imóvel tombado, como a senhora deve saber, possui restrições de uso.

Um outro ponto que me chama a atenção é a informação desse processo se arrastar a anos, sem ter sido chamada  a outra parte para comunicação desse fato, o que ocorreu apenas há poucos meses. Tenho conhecimento que o Instituto tem sede própria em Belford Roxo, mas as pessoas que estão lotadas no IAB não podem se deslocar cotidianamente até esse local, de difícil acesso com condução pública. Um estudante ou professor que dividam seu tempo entre a universidade e o instituto não poderão viabilizar as suas pesquisas, que precisarão ser interrompidas. É disso que se fala, da perda de um espaço dedicado a ciência e ao ensino, aberto gratuitamente ao público e que se sustentou décadas pelo esforço de seus profissionais.

Pede-se apenas que essas pessoas sejam ouvidas, e que esse grupo não seja simplesmente retirado do local como se estivessem lá indevidamente, ursupando um bem público, e não zelando por ele e atendendo aos interesses da comunidade.

Espero sinceramente que a Procuradoria ouça o outro lado da história.

Agradeço novamente sua atenção, e peço mais uma vez que parte dela seja dedicada a ouvir a desses pesquisadores, e considerá-los como detentores de um trabalho público valioso e mantenedores da casa, não invasores que a destroem.

Atenciosamente
Christiane Lopes Machado
Rhea – Consultoria e Assessoria

Um comentário:

  1. Com certeza as partes chegarao a um entedimento, que sera bom para todo mundo.

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